Artigos

Usucapião

Usucapião extrajudicial: quando dá para resolver em cartório

Nem toda usucapião precisa de processo. Desde 2015 há uma via em cartório — mais rápida, e com exigências próprias que decidem se ela serve para o seu caso.

Por Clara Miranda 6 min de leitura

Morar num imóvel por vinte anos não faz de você o dono dele no papel. Faz de você alguém com direito a se tornar dono — e esse direito precisa ser reconhecido para virar matrícula.

O Código de Processo Civil de 2015 abriu uma via extrajudicial para esse reconhecimento: em vez de um processo, um procedimento no cartório de registro de imóveis da região. Quando o caso encaixa, o ganho de tempo é grande.

O que o cartório vai exigir

  • Ata notarial lavrada por tabelião, atestando o tempo e o modo da posse.
  • Planta e memorial descritivo assinados por profissional habilitado e pelos confrontantes.
  • Certidões negativas das comarcas onde ficam o imóvel e o requerente.
  • Justo título ou provas da posse — IPTU, contas de consumo, contratos, fotos datadas.

O ponto que derruba a maioria dos pedidos

A concordância dos confrontantes. Se um vizinho não assina, ou se o titular na matrícula não é localizado, o silêncio já foi tratado como discordância — hoje há caminho para interpretá-lo de outro modo, mas o procedimento fica mais longo e pode acabar remetido à via judicial.

A pergunta que faço primeiro não é "há quanto tempo você mora aqui?", e sim "quem mais pode ter algo a dizer sobre este terreno?". É essa resposta que define a via.

Judicial não é fracasso

Quando há conflito real sobre a posse, o processo é o lugar certo — a via de cartório não foi feita para resolver disputa, foi feita para formalizar consenso. Escolher a via errada custa meses.

Este texto é informativo e não substitui a análise do seu caso concreto. Cada negócio imobiliário tem particularidades que só aparecem nos documentos.

Fale com a Clara

Cada imóvel tem a sua história. O seu caso merece uma leitura.

Se o que você leu se parece com a sua situação, me conte o que está acontecendo. A primeira conversa serve para entender o problema — e dizer com franqueza se você precisa de uma advogada.

Enviar uma mensagem